
Por Danilo Galvão
Esta terça-feira (11/10) foi marcada por um fato que ninguém esperava na televisão brasileira. Rafinha Bastos pediu demissão da Bandeirantes, canal onde trabalhava e fazia os programas CQC e A Liga. O motivo: uma piada infeliz, dita numa hora inapropriada -- todos riram, porém o último que riu se deu melhor.
O problema todo não foi ter sido suspenso da bancada do CQC, e sim ter sido vetado de reportagens especiais que ele tinha feito e que por algum motivo não foram ao ar. Lógico que existe mais coisas nos bastidores, mas oficialmente foi isso. Uma mísera piada que poderia ter sido contada pelo Pânico ou por Ratinho foi usada como boicote só para dizer que o CQC pode ser atingido e desfeito.
Perguntem-se por quê eu estou falando isso? Quem assistiu o programa nem notou a piada. Só porque teve repercussão aí foi que começaram a analisar o humorista. Rafinha Bastos e vários ali do CQC cresceram, fizeram seus nomes por falarem o que querem nos shows de stand up, portanto eles têm a língua solta mesmo, pois lembrem-se numa democracia a gente fala e escuta o que quer. Porém, mesmo com regras de quaisquer emissoras, comediantes desafiam tudo o que aparece na mídia. Mesmo utilizando sua arma principal, e que 100% do público ri e adora: humor negro!
Não excluo a culpa da piada, como falei, foi infeliz. Mas todos riram. A platéia riu, os colegas de programa riram, se duvidar até a própria Wanessa riu -- ela acostumada a tirar onda com Rafael Cortez nas reportagens por aí. O marido de Wanessa não riu, processou o CQC, praticamente exigiu desculpas de joelhos por parte da produção e quis calar a boca de um comunicador. Ora, vocês conhecem aquela velha história do professor que é deveras rígido com os alunos, que faz os alunos beijarem seus sapatos, mas que na verdade no passado era um péssimo exemplo de estudante?
Rafinha Bastos não é o primeiro nem será o último a tentarem silenciar, basta lembrarmos de mestres como Ary Toledo, Juca Chavez, Chico Anysio, etc, que foram retirados do palco no meio do show durante a ditadura militar e hoje são lendas da comédia não só brasileira, mas mundial. Que tal sermos tolerantes, afinal, na época da escola falavam das nossas mães e não estávamos nem aí para o que diziam?! Defendo que medidas devem ser tomadas, mas sabiamente! Aì me perguntam: "o que seria sabiamente?", respondo: reclame do que está sendo dito, não tente calar a boca de ninguém se você não quiser ser calado um dia.








